terça-feira, 23 de junho de 2009

Filme do "ELO PERDIDO" direto pra DVD

por Renato Rodrigues

Nem Will Ferrel salvou a bilheteria de A Terra Perdida (Land of The Lost), o filme baseado da série setentista Elo Perdido.

Depois do resultado morno nas bilheterias dos EUA, onde não chegou nem na metade dos 100 milhões que custou, os distribuidores optaram por lançar aqui no Brasil (outra terra perdida) direto pras locadoras e mesmo assim lá por fim do ano.

Também, na boa, a série podia nem ser lá essas coisas (Eu gostava, mas era ruim...), mas o trailer já mostrava que não tinha nada a ver com nada. O filme traz um fracassado cientista (Will Ferrell), desacreditado publicamente, que embarca em uma expedição a uma terra perdida que prova todas as suas insanas teorias.

Cadê a família da série original? Mas pelo menos tem os sinistros Sleztaks...

Abaixo o trailer pra você conferir. Divertido... MAS NÂO É A MAMÃE!
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O SUPER HERÓI AMERICANO - Acredite ou não... ele pode pode voltar!

por Renato Rodrigues


Stephen J. Cannell (criador e produtor da série) deu esperanças de um sim. Cannel declarou que tanto já escreveu o roteiro, como contratou um diretor. Os atores da série original devem participar com papéis importantes e espero que retomem de onde a série parou, seria melhor do que ver um novo Ralph Hinkley. Não sabe do que estamos falando? Você nasceu ontem? Leia a matéria abaixo e relembre.

A SÉRIE
Muito antes de Mulder e Scully andarem por aí atrás de discos voadores, um certo professor já tinha feito contatos (prá lá de terceiro grau) com seres de outro planeta. Esse professor era Ralph Hinkley (Willian Katt), O SUPER HERÓI AMERICANO, seriado esquecido em alguma prateleira empoeirada do SBT, que divertiu uma pá de fãs por três temporadas com sua proposta leve e despretensiosa.

ABERTURA PRA REFRESCAR A MEMÓRIA


Felizmente cada cavaleiro tem o escudeiro que merece e o inepto herói tinha como mentor e parceiro Bill Maxwell (Robert Culp), agente do FBI (Como gostava de se identificar quando esfregava sua insígnia na cara de todo mundo!), que personificava justamente o seu inverso. Era temperamental, cínico e adorava bancar o tira “durão”. As constantes discussões éticas sobre o uso de tais poderes além de divertirem o espectador mostravam os dois ou mais pontos de vista de cada situação.Se Ralph era a cautela e Bill a impetuosidade, Pam Davidson (Connie Selleca) representava o bom senso, contrastando com a absurda idéia de se lutar contra o crime por aí com roupas apertadas e dando de cara com paredes. Como Bill, ela também sabia usar o sarcasmo a seu favor. Namorada de Ralph e depois sua esposa, Pam completava o trio mantendo-o coeso e enchendo de charme cada capítulo da série.Veja abaixo a abertura:
SUPER HERÓI AMERICANO era mais que um simples “seriado de super herói”. Posso arriscar dizer, sem o acompanhamento do Hino Americano, que Ralph, ajudado por seus inseparáveis parceiros, representava um misto de triunfo da natureza humana sobre o inesperado e uma teimosia quase insana em acertar a cada derrocada. Ele, assim como o Coiote do Papa-léguas, vivia para cair, sacudir a poeira e dar a volta por cima (literalmente) enquanto tentava aprender a usar todos aqueles fantásticos super poderes.
Forcei a barra? Talvez, mas é um bom ideal de vida, não é não?

Ralph era um professor e tanto. Mas o salário, ó!...



Curiosidades curiosas:
- “The Greatest American Hero” foi ao ar nos EUA em três temporadas 1981/83, com um total de 45 episódios. Aqui passo no SBT (na época TVS). Sua dublagem, feita pelo saudoso Marcelo Gastaldi, é lembrada até hoje.


- O tema Believe It or Not”(Composto por Mike Post e cantado por Stephen Geyer) alcançou o segundo lugar na preferência musical em 1981. Além disso o seriado era recheado de sucessos da música pop.

- Stephen J. Cannel, criador da série, é também um Midas entre os produtores de seriados nos States. O camarada é responsável por Esquadrão Classe-A, O Homem da Máfia, Anjos da Lei, O Renegado e mais uns trocentos outros seriados.

- Em 86 foi gravado um piloto para uma continuação da série, chamado “THE GREATEST AMERICAN HEROINE”, onde a identidade de Ralph era exposta ao público, obrigando-o a passar a super-roupa e a responsabilidade para uma jovem chamada Holley Hathaway. Bill ajudaria a moça a combater o crime como fizera com Ralph. O piloto não chegou a emplacar um série, mas está presente no Box dos DVDs americanos e faz parte da cronologia da série.

- Willian Katt fez participação especial na série Heroes.

- Visite o curioso site
http://www.tgah.com/ que traz web-episódios da série aparentemente filmado por fãs.

- Pra terminar, um clipe que vale a pena ver:


segunda-feira, 22 de junho de 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO não salva nem a si mesmo.


Quando James Cameron, forjado no calor da batalha dos filmes B de Roger Corman, realizou seu primeiro longa metragem, ele provavelmente não imaginava que estava criando um dos maiores ícones do cinema de ficção científica, por mais que seu enorme ego sugira o contrário. Em 1984, com apenas 6 milhões de dólares, Cameron escreveu e dirigiu O Exterminador do Futuro, um absoluto triunfo em todas suas facetas, sejam técnicas ou artísticas. Sete anos mais tarde, veio a continuação, onde Cameron expandiu enormemente a abrangência de seu universo, não apenas com um orçamento nada menos do que 15 vezes maior que o anterior, mas principalmente com um rico roteiro que transformou esses dois filmes numa peça mítica. Se o primeiro filme mostrava a transição de uma simples e tola garçonete na mãe que forjou o salvador da humanidade, o segundo mostrava como seu filho passou de delinqüente juvenil ao herói lendário. Mais doze anos se passaram até que a terceira parte fosse produzida, sem nenhuma participação do criador original. Rendeu rios de dinheiro apesar das pesadas críticas dos fãs, mesmo que Cameron tenha dado seu aval à produção depois de pronta. Nela, o fim do mundo se mostra inevitável e John Connor finalmente aceita seu papel de líder da resistência contra as máquinas.


Então uma quarta parte foi anunciada. A primeira sem o grande astro Arnold Schwarzenegger, no momento bastante atarefado governando a Califórnia. Como assim um filme do Exterminador sem o exterminador?? Bom, os filmes nunca foram sobre o exterminador. Foram sobre Sarah, John e Reese. Sobre as pessoas comuns que se tornaram heróis. Terminator: Salvation seria, finalmente, um filme sobre John Connor liderando a resistência. Sobre a guerra que tanto os homens quanto as máquinas tentaram evitar nos filmes anteriores. Sobre como Connor conheceu aquele garoto, mais novo que ele, que deveria ser seu pai, e sobre a força que ele tirava dos conselhos que a mãe gravou em fita cassete quase 35 anos antes.

Não tinha como dar errado.

Mas todos sabemos como projetos maravilhosos podem se transformar em tragédias. Basta escolher o diretor errado, o roteiristas errados e somá-los a um estúdio cheio de más intenções. McG, diretor de videoclipes que ganhou fama com os dois filmes das Panteras, não soava como um nome sério o suficiente para um projeto desse porte. Já os roteiristas John Brancato e Michael Ferris eram uma incógnita. Num extremo, o roteiro do excelente Vidas em Jogo, de David Fincher. No outro, Mulher Gato, filme que dispensa comentários. No meio, o roteiro do próprio Exterminador 3, que tinha defeitos mas era bastante razoável. Qualquer coisa poderia sair dali, portanto. Quanto às intenções do estúdio... bom, é só ver o filme em seus piores momentos.



Inicialmente algo que não deveria ser um problema, é preciso, entretanto, destacar logo de cara a censura do filme. É o primeiro da série com classificação PG-13 (13 anos), enquanto três filmes anteriores foram R (17 anos). Isso amplia o público do filme nos cinemas, nessa época de intensa pirataria virtual. Mas a verdadeira intenção de baixar a censura do filme parece ter sido, simplesmente, a venda de brinquedos. Terminator: Salvation é infestado das mais variadas formas de exterminadores e alguns são veículos quase infantis como o moto-terminator. Quando aparece o “transforminator”, um robô gigante pegando a onda do sucesso infanto-juvenil de Michael Bay, já fica claro que nada mais sério seria possível esperar do filme.

Ok, vamos voltar ao que interessa: os personagens. Christian Bale assume o papel que foi de Nick Stahl no filme anterior, onde interpretou um Connor totalmente equivocado, sendo, sem dúvida, o pior erro do terceiro filme. Desta vez, Bale aposta no que faltou no protagonista anterior: intensidade. Mas tanta, tanta intensidade, que erra a mão e John Connor parece apenas um cara que fica nervoso o tempo todo. Não é só culpa dele. O roteiro não aposta em seu personagem principal. Suas cenas parecem soltas, limitadas ao extremamente essencial para a progressão da história. Pelo menos metade do tempo é dividido com Marcus Wright (Sam Worthington), um assassino condenado em 2003 que acorda no futuro devastado sem ter idéia do que está acontecendo. Conforme conhecemos os reais fatos, percebemos que é um filme com dois protagonistas e a relação forjada entre eles é uma citação muito bem sacada aos filmes anteriores. Diversos outros elementos da história são muito bem pensados, detalhes que parecem furos são explicados de forma muito convincente nos momentos certos, mostrando que Salvation tem, de fato, uma história muito boa. O roteiro, porém é muito mal executado e, afogado no mar de apelações comerciais já citadas, fica ainda mais frágil. Roteiristas e diretor mostram sua reverência aos filmes originais com diálogos, imagens e músicas, com resultados que vão desde o banal até um momento específico que é capaz de fazer qualquer fã dar cambalhotas de alegria no cinema.



Infelizmente, nenhuma de suas qualidades é suficiente para suprir os verdadeiros furos do roteiro ou compensar a pseudo intensidade emocional do filme. Diversos episódios do excelente seriado The Sarah Connor Chronicles dão um banho nesse filme milionário que, apesar de ótimas cenas de ação e efeitos especiais sublimes, não consegue tocar a profundidade dos diálogos e interpretações de, por exemplo, Thomas Dekker, o John Connor de 15 anos perfeito revelado pela série.

Terminator: Salvation é uma história com excelente potencial que se tornou filme frágil, apelativo, barulhento e ralo. McG não possui o menor preparo para lidar com os aspectos dramáticos de um filme que parece mais interessado em vender brinquedos. Não chega a ser inassistível, porque a ação é bastante divertida e a produção é impecável. Mas está longe de ser um herdeiro digno das obras primas de James Cameron.

Nota: 2/5
Terminator: Salvation
Diretor: McG
Roteiristas: John Brancato e Michael Ferris
Com: Chistian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Helena Bonham Carter

domingo, 21 de junho de 2009

TIME DE OURO FAZ “HOMEM DE FERRO”

por Patrícia Balan


O primeiro filme dos estúdios Marvel já veio com uma boa notícia: os estúdios Marvel!!! Agora os sonhados crossovers, interação entre personagens de filmes diferentes, já é um sonho muito mais próximo. Infelizmente não há como saber qual a possibilidade de interação com personagens tão adorados como os X-men e o amado amigo da vizinhança. Fox e Sony não são estúdios considerados fáceis de se lidar.

Depois de muitos acidentes de percurso, “Homem de Ferro” não poderia ter aterrizado em melhores mãos. Tom Cruise, que sempre foi um fã confesso do herói, estava com as garras em cima do personagem mas caiu fora por não concordar com a maneira como o projeto estava sendo desenvolvido. Se ele tinha idéias inovadoras para o “Homem de Ferro” da mesma maneira que inovou “Missão Impossível”, nós fãs escapamos de boa. Homem de Ferro é inovador sim, mas em nenhum momento perdeu sua identidade. Mesmo com as reviravoltas doidas dos roteiros de quadrinhos a trajetória de Tony Stark está muito reconhecível.

O filme começa com uma pequena viagem de negócios tendo conseqüências desastrosas. Tony Stark está promovendo seu mais recente produto para “apavorar os caras maus”. Até este momento no filme Tony Stark é o homem dos sonhos de George Bush, mas isto está prestes a mudar. Logo o “mercador da morte” provará um pouco de seu próprio remédio. O cenário da origem do Homem de Ferro mudou do Vietnã para o Afeganistão. Mesmo com este contexto o filme passa longe da crítica política. Ela só está lá para quem está disposto a vê-la – como um bom e velho roteiro Marvel.


O filme tem suas explosões, efeitos e brigas, mas o roteiro é muito interessante com uma narrativa não linear. A Marvel não teve tanto medo de perder o público infantil quanto teve respeito pelos fãs adultos do personagem. Tudo bem, pode ser dito que este foi um filme também para os pais dos espectadores, mas esse papo já está velho! Os fãs quarentões de quadrinhos não precisam mais se esconder de vergonha. Está na cara que nós estávamos certos quando torturávamos o jornaleiro até o exemplar chegar na banca. Nossas histórias tão queridas sobreviveram dez, vinte, trinta anos... Estávamos certos!!

Certo também estava Jon Favreau – o ator que fez Franklin Nelson em Demolidor – ao passar para trás das câmeras e escolher Robert Downey Jr. como Tony Stark. Com Downey no barco foi bem mais fácil conseguir Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges e Terrence Howard. Preste atenção nestes nomes: todo mundo aí tem indicações ao Oscar ou já tem um em casa. Hollywood já aprendeu que não adianta nada escalar um ator “parecido” com o personagem. Deixe os bons atores trabalharem e eles vão se transformar exatamente no que precisam ser.

Um bom roteiro, coadjuvantes excelentes – até o próprio Favreau fazendo pontinha como o motorista Happy Hogan – foram importantes para o sucesso do filme, mas seria injusto não dar o destaque devido a Robert Downey Jr. Ele deve ter enchido suas falas de “cacos” como todo bom ator e mesmo assim Tony Stark está todo lá – mais simpático, mais jovial, mais irresponsável e mais genial ainda do que sempre foi.

Mesmo com toda genialidade do personagem o filme humaniza um pouco mais Tony Stark mostrando que ele não poderia prever todas as conseqüências de ter uma armadura como aquela em casa. Justamente por isso a armadura do Homem de Ferro em sua versão final aparece pouco. Essa é uma reclamação justa dos fãs, pois a armadura ficou muito legal mesmo! Mas tenha um pouco de paciência porque os momentos que vão das primeiras experiências até a versão final da armadura são verdadeiras pérolas. Tudo bem, pode ser que falte Homem de Ferro, mas Tony Stark está muito presente.

Não há menção sobre ele ser alcoólatra, não há desenvolvimento do fato de ele ter crescido sob a sombra do pai e não conhecemos muito sobre Tony enquanto ele concordava em gênero, número e grau com tudo o que Obediah Stane (vulgo Monge de Ferro) decidia em sua empresa. Mesmo assim essa profundidade do personagem fica implícita. A explicação para isso é justamente Robert Downey Jr.


Ele foi muito generoso com seu personagem e fez muito mais do que trabalhar o corpo até ficar “enxuto”.
Ele faz doações preciosas: seu próprio passado auto-destrutivo, as experiências das quais ele não se orgulha muito e a alma de rebelde. Estes elementos estão por baixo da interpretação, nas entrelinhas.
Só mesmo um excelente ator para fazer isso tudo transparecer por sua pele lindamente – em ouro e vermelho!

Ps. Assim como um Ps. em uma matéria, alguns filmes ainda têm algo a dizer depois dos créditos, tá gente!? NÃO QUE OS CRÉDITOS NÃO MEREÇAM ATENÇÃO! Aqueles nomezinhos vão aparecer em outros filmes garantindo a qualidade do seu entretenimento. Você podia pelo menos dar uma olhada neles. Os que ficarem serão recompensados.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

SPEED RACER brilha (até demais)

por Ricky Nobre



É Speed Racer é um filme sem público. É preciso ter assistido ao desenho no Capitão Aza aos três anos de idade para conseguir apreciar as reais qualidades do filme, mas esses mesmos fãs poderão não tolerar seus principais defeitos. Assim, cada um encontrará dentro de si como esses pesos se equilibram. Para todo o resto do mundo... é um filme MUITO estranho.

O primeiro trabalho pós-Matrix dos irmãos Wachowski (V de Vingança foi só escrito e produzido por eles) vem com aquele aval que um estúdio só dá pra quem rendeu verdadeiras fortunas. Do mesmo jeito que a New Line deu carta branca artística e financeira para Peter Jackson fazer qualquer coisa que lhe desse na telha depois da mina de ouro chamada Senhor dos Anéis (e daí saiu King Kong), Speed Racer é fruto desta confiança cega da Warner nos irmãos. A apreciação dos dois por animes já era totalmente evidente em Matrix, seja pela coreografia estilizada das lutas, seja pela própria produção da série animada Animatrix, onde cinco dos sete episódios eram japoneses. Apesar da grande decepção que Matrix se tornou com as continuações, ter um dos mais icônicos animes adaptado por eles, não seria má idéia. Muito se especulou sobre qual o caminho tomado, até que saiu o primeiro trailer. Muita gente já começava a quicar.

O filme, na verdade, surpreende. Numa decisão incrivelmente enriquecedora para o filme, os Wachowski não emburreceram a narrativa, muito pelo contrário. Ela é sofisticada ao ponto de pôr em risco a conquista do público infantil, que pode ter sérios problemas em seguir a constante não-linearidade na qual a história transcorre, com constantes flashbacks entrecortados, flash-fowards e até cenas simultâneas entre presente e passado. Uma grata surpresa que nos faz lembrar o talento que os diretores apresentavam no início da carreira.

O roteiro equilibra muito bem o simplismo necessário a uma história de Speed Racer, com uma elaboração bastante razoável da trama, com algumas boas surpresas. O investimento emocional na jornada dos personagens dá profundidade e credibilidade a uma história que se passa toda numa realidade absurda, onde corridas de carros são quase espetáculos de luta livre. O elenco perfeito ajuda muito a tornar esse investimento um sucesso, pois os personagens estão perfeitamente adaptados (Gorducho é simplesmente impagável). O elo mais fraco é justamente Speed, não porque o jovem Emile Hirsh esteja mal, mas todos os outros estão bem demais. Todos falam como as vozes (americanas, claro) do desenho, sem caricaturizar ao ponto de arruinar o texto, trazendo ainda mais charme em sua contribuição para a absoluta estilização do filme.



Então o filme é um absoluto sucesso!! Err... não. Um único aspecto é capaz de levar o filme por água abaixo, dependendo do quanto te irrite. As corridas são um desastre. É uma enxurrada tão absurda e desproporcional de luzes, cores e movimento, nas imagens mais indutoras de epilepsia já criadas! Tudo brilha como uma superfície metálica, ou até mesmo plástica, e texturas estão ausentes até mesmo das pistas. Nenhum carro parece andar em linha reta, deslizando constantemente de lado, no que na cabeça maluca dos animadores (tudo ali é digital) deveriam ser derrapagens. Não que os indizíveis absurdos das corridas sejam ruins em si, pois, do contrário, não seria fiel ao desenho, mas espera-se, pelo menos, que as pistas pareçam pistas e que os carros andem pra frente. Salva-se, com louvor, o rali, que atravessa desertos e montanhas, evocando com perfeição as grandes corridas do desenho. A presença do Mach 6 na última corrida também vai desagradar os mais conservadores, além da overdose high tech onipresente, num amálgama, sem sempre bem sucedido, com visual retrô.
Se as corridas em pista incomodam tanto, o final do filme acaba sendo um grande anti-clímax, quando todos os defeitos decidem se reunir numa única seqüência para caçoar do público pagante. Numa tentativa de se aproximar do público jovem que não via o desenho há 40 anos, os Wachowski acabaram transformando as corridas num grande videogame tão insípido quanto ultrapassado (nem os games de hoje parecem tão falsos). Por outro lado, esse público que não cresceu amando o desenho deve acabar achando todo o conjunto uma imensa bobagem.



No filme, Speed Racer tem a cara dos Wachowski, para bem e para mal, com todas as boas e más surpresas às quais eles já nos acostumaram. Se você é fã, encha seu coraçãozinho de amor e vá ver, que tem MUITA coisa boa ali. Se não for, é melhor ir ver Homem de Ferro.

NOTA: 3/5

Ricky Nobre brincava de Speed Racer com seus carrinhos de ferro e notou perturbadora semelhança entre seus brinquedos e os carros em GCI...

Ficha Técnica: Speed Racer
EUA, 2008, 135 min
Direção e Roteiro: Andy Wachowski & Larry Wachowski
Elenco: Emile Hirsch, Susan Sarandon, John Goodman, Christina Ricci, Matthew Fox.

TROPA DE ELITE TAMBÉM JÁ PEGOU VOCÊ



A Tropa de Elite do Alcatéia escreveu sobre o filme mais comentado de 2007. Relembre as matérias.

Crítica Eddie Van Feu

Crítica Ricky Nobre

Crítica Patrícia Balan

TROPA DE ELITE - Vai pra casa, Padilha!

por Patricia Balan



A crítica da Eddie Van Feu foi um bocado irritante. Ela tem a vantagem de não dormir e não parar. Ela sempre escreve o que eu quero escrever antes de mim!
Então vamos ver o que sobrou prá mim. Ela já falou da fotografia do filme... do roteiro do filme... Ah, mas não basta que uma loba só fale! O filme é muito BOM. O filme é bonito, sim – e muito bem dirigido. José Padilha ainda está sendo chamado de “extrema direita”, de glorificar a violência policial. Eu detesto ficar falando frase feita, mas: Vai pra casa, Padilha! Não tem como discutir com jornalistas que estão apavorados achando que o povo vai querer o regime militar de volta.
Honestamente... O que a mídia achou que iria acontecer? O povo está SEM VOZ NENHUMA! A mídia não enfrenta ninguém! As novelas estão cada vez mais burras, os humoristas estão cada vez mais politicamente corretos. Ficar fazendo piadas sobre sexo e pum não faz de ninguém um contestador – você é só mal educado. Quem tem poder de comunicação faz questão de tratar matérias profundas com superficialidade e matérias superficiais com profundidade.

Mas o Padilha... O que é que o Padilha tinha na cabeça? Se ferrou! Se ferrou de todos os lados. Porque é que ele não continuou com o discurso batido sobre as vítimas da sociedade?! Por que é que ele não apontou o dedo para a sociedade em geral, para o poder em geral, para o sistema EM GERAL para não apontar coisa nenhuma?! Mas o Padilha... O Padilha não tem juízo. Ele foi fazer um filme bom, honesto com os princípios da arte. Um roteiro bom, honesto com os princípios do roteiro. Pegou atores bons e fez uma preparação séria com atores que já eram bons!!! O Padilha não tem jeito! Se ferrou! O filme foi pirateado antes que a crítica e as distribuidoras pudessem falar qualquer coisa. Qualquer marketing enganoso ou correto foi por água abaixo porque o povo todo já aprovou! O filme está causando uma febre sem precedentes! Eu não me lembro de Rambo, Guerra nas Estrelas, ou qualquer final de novela que fosse tão popular. O Padilha deu voz a quem já estava de acordo com a Lei do Silêncio. Milhões de dólares investidos em um filme genuinamente BOM e o Padilha não vai ver nem metade do lucro que este filme já está dando. Coitado do Padilha... Mas, também, ele ESTAVA PEDINDO PARA SER ROUBADO! Igualzinho ao Luciano Huck. Quem manda fazer um filme bom e honesto sobre o Rio de Janeiro? Estava pedindo para ser roubado! Qualquer coisa linda de morrer e de qualidade acaba sendo arrancada de você nesta cidade. Esta é a lição que ficou para mim.

Oito entre cada dez pessoas que eu chamo para ver o filme comigo dizem: “Já vi! Estou com o filme lá em casa.” Chama o Nascimento!!! Pombas! Isso a Eddie já falou, mas eu vou falar também! Que tiro no próprio pé que o brasileiro deu! Ver esse filme trancado em casa com uma cópia inacabada é compactuar com a Lei do Silêncio. É como o policial corrupto que te olha com desdém perguntando se você tem provas. “O filme é um sucesso mesmo? Cadê as estatísticas? Filme pirata não entra em estatísticas, meu filho. Até onde se pode ver o filme não tem nada de especial...”

Mesmo que o filme seja um tremendo sucesso de bilheteria, como está prometendo ser, ninguém vai saber o quanto poderia ter sido melhor. Isso já foi dito milhares de vezes, até mesmo pelo José Padilha. A única coisa que eu posso dizer é... VAI PAGAR UM INGRESSO DE CINEMA, SEU ANIMAL!!! CONTRAVENTOR MISERÁVEL! TU TÁ DEVENDO UM INGRESSO PRO CINEMA NACIONAL, SEU FILHO DE UMA @¨%&$¨$(&%)*¨&!!!!!! TU PENSA QUE EU NÃO SEI QUE VOCÊ É DESONESTO, CONIVENTE COM TRAFICANTE, SEU IMBECIL!!! DESISTE DE FICAR NA MOITA E VAI PRO CINEMA!!! VAI PRO CINEMA, SEMENTINHA DO MAL!! Pega o saco aí, Eddie!

Chama o Nascimento!



Nana, playboy, que o Bope vai pegar
o foguete foi pro saco e o
Nascimento vai chegar...


A verdade é que a gente quer o Nascimento para os outros, e não para a gente. A violência policial já está sendo vista como resposta por muitos programas de AM e programas de televisão. Tanta gente já fala que tem que prender e matar e torturar. De qualquer maneira foi bom ver, depois de muito tempo, o medo dos bandidos com nome e sobrenome. Roberto Nascimento, figura fictícia que agora faz parte de todos nós. Quem sabe com esse nome acontece algum “nascimento” de inconformismo e a conivência morre.

Eu vivo com medo. Tenho medo do meu chefe, do meu governo, do meu gerente de banco, DO ASSALTANTE, do meu vizinho que eu não sei quem é... Foi bom para mim conhecer, ou pelo menos imaginar, qual seja o medo dessa gente que me dá medo. “Olha, seu traficante, pára de vender drogas aqui na escola senão vou chamar o Nascimento, viu? A polícia normal não vem, mas ele vem. Olha ele lá na esquina!”

o Nascimento não vem coisa nenhuma, mas vale a pena sonhar. O filme é uma boa fábula neste sentido.

Então, chama o Wagner Moura!
A escolha dos atores foi fantástica. Nada melhor do que escolher um ator que a gente viu crescer para interpretar o anjinho do Neto. Foi perfeito escalar um ator talentoso e desconhecido para viver o André Mathias, um sujeito que está desesperadamente tentando não ser reconhecido. Só que existe outro culpado para o sucesso deste filme. Com a devida admiração ao Caio Junqueira e André Ramiro, o Wagner Moura é show. Quando é que a gente ia acreditar que um capitão do Bope ia ter aquela cara bonitinha e ainda iria meter medo nos outros? O Wagner Moura mesmo não pode subir o morro para enfrentar os caras porque as mulheres iriam pular no pescoço dele muito antes! Desculpe, Seu Wagner. Com todo respeito. Seu talento é impressionante. Eu quase esqueci que o senhor é uma gracinha. Mas eu já vi o filme três vezes e, quando é assim, a gente nota certos detalhes.

Legal mesmo é descobrir que o cara que deu vida ao pavoroso Nascimento é um baiano tão sem pressa que tem um Fusca 68! Ele nem pode vender o carro porque deve respeito aos mais velhos. O carro é mais velho que ele! Não é a primeira vez que Wagner Moura faz com que o público se apaixone pelo vilão. Ele marcou presença ainda no sistema de roteiros sem sentido e repetitivos. Quando colocaram um roteiro de verdade na mão do sujeito ele arrebentou. Com mais alguns anos ele descobre que o Passat já foi fabricado e chega no estúdio mais rápido.

O bacana é que, para se livrar da pele do Capitão Nascimento, Wagner Moura está querendo fazer uma peça de Shakespeare. Ele vai ser Hamlet! Ora, bolas. Ele quer se livrar do Capitão Nascimento encarnando um sujeito depressivo que se veste de preto e que faz discursos com caveiras nas mãos?! Ô, Seu Wagner, pensa de novo. Eu já não consigo lembrar da peça do jeito que lembrava antes...

Gertrude: Meu bom Hamlet, tira estas cores noturnas e deixa que teus olhos te façam olhar como um amigo à Dinamarca. Bem sabes que é comum...
Hamlet: Mãe, meu uniforme é PRETO. E tu, Claudius! És moleque! És safado e corrupto! Mataste meu pai, não é, seu safado??!!! Olha-me nos olhos! Perdeste, dinamarquês incestuoso, assassino, maldito!! Perdeste!

Essa versão de Hamlet vai ser curtinha...