quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O FIM ESTÁ PRÓXIMO

por Ricky Nobre

Em Independence Day, o diretor alemão Roland Emmerich trouxe alienígenas para a Terra que destruíram o planeta em três dias. Em O Dia Depois de Amanhã, ele fez o aquecimento global destruir a Terra em três dias (mesmo que o provável seja em trinta anos). E desta vez, em 2012, explosões solares desestabilizam o núcleo do planeta, o que destrói a Terra em três dias. O que leva um cineasta, ainda que ostensiva e inflexivelmente pipoqueiro, a fazer sempre o mesmo filme? Talvez seja porque o público sempre assista...

Filmes catástrofe são uma fórmula rígida e muito pouco evoluída desde a década de 70, quando Terremoto, O Destino do Poseidon e Inferno na Torre ditaram as regras para as gerações futuras. Década após década, o que melhora são os efeitos especiais, o que, no caso de 2012, são completamente abestalhantes. Fora isso, está tudo lá! A família desfeita que caminha desastrosamente para a reconciliação, os velhinhos boa praça, as crianças, as autoridades, os cientistas, todos fazendo sua parte, morrendo e sobrevivendo com suas frases bregas para nos assegurar duas horas e meia de catástrofe da melhor qualidade.

Não podemos negar, entretanto, que, se o gênero está congelado, não se pode dizer o mesmo do diretor Emmerich. É verdade que, como vimos anteriormente, ele não exatamente procura novos temas para seus filmes e, também, para quem um dia cometeu Godzilla, tudo parece uma melhora. Mas ele mostra maior domínio do ritmo e da ação, tornando a experiência bem mais divertida do que nos filmes anteriores. Não é, entretanto, um filme sério, nem perto disso. Até poderia ter sido, se levarmos em conta a trama central e o nível inédito de catástrofe global absoluta. A questão moral sobre quem merece ser salvo no fim do mundo dava um filme por si só. Emmerich preferiu, porém, transformar cada cidade que afunda ou explode numa imensa montanha russa a la Indiana Jones! O filme torna-se impossível de levar a sério ao nos fazer gargalhar (propositadamente!) em sequências que deveriam nos apavorar completamente. E, com esse golpe de mestre, simplesmente paramos de levar a sério uma série de absurdos que o filme comete, como a manipulação desavergonhada de leis da física, capacidades sobre humanas de direção acrobática e respiração subaquática, celulares que não pegam nem no metrô funcionando perfeitamente num mundo quase todo submerso, e por aí vai...


2012 é uma divertida comédia-catástrofe. Não se levar a sério pode ter destruído o filme ou o salvado de si mesmo, depende do ponto de vista. De certa forma, é mesmo um filme para fãs de Emmerich, pois, se você não liga para coisas como o aquecimento global funcionando todo em três dias, monstruosas naves alienígenas que não tem nem anti-vírus (será que eles usavam Windows?) e não se incomodou com o escrachado revisionismo histórico de O Patriota e 10.000 A.C. , então não vai ter problemas com o que 2012 tem para mostrar. Se você só quer um parque de diversões filmado, e está disposto a pagar o preço absurdo dos ingressos de hoje em dia, vá ao cinema e divirta-se com a imensidão da imagem e do som, porque em vídeo esse filme não vai ter a menor graça!

NOTA: 5/10

7 comentários:

Henrique de Castro disse...

Não gostei do filme, não passa nehuma mensagem a quem assisti e a unica coisa que gostei são os efeitos mais historia é muito ruim!Nota 0!!!

Renato Rodrigues disse...

Esse é o verdadeiro filme feito com "FIM Lucrativo"

Ricardo disse...

O filme foi interessante para mim. Mas, sobre o lado real de 2012, não foi muito fiel as profecias Maias. Só quando 21 de dezembro de 2012 chegar que nós vamos saber o que o Universo reservou para nós...

Belle disse...

Adorei o 2012, a melhor diversão do ano até agora. O Roland Emmerich se amarra em destruir o Planeta e esse prazer é visível e indiscutível no filme. Outro ponto que vale destacar é que o elenco é provavelmente o melhor que o diretor já teve e, mesmo no gênero ação/aventura, isso faz diferença. Quem for ao cinema esperando apenas uma grande e desefreada diversão vai ter um banquete com o novo arrasa-quarteirão do Roland Emmerich. Eu, que não vou ao cinema em busca de "mensagens" ou de uma profunda reflexão sobre a condição humana e os rumos do Planeta, fiz a festa! :D

Eddie disse...

Eu sempre gostei de ver o circo pegar fogo e o mundo acabar (na tela do cinema, claro) e tenho que admitir que sou farofeira. Pena que o tema das profecias maias ficou distante e nada foi dito de relevante a respeito (a não ser o "E não é que eles estavam certos?"). Eu gosto do John Cusak, o elenco era simpático, o discurso era brega, as piadas eram boas e os efeitos fenomenais. Não tenho reclamações! Saí alimentada com uma boa batata-frita com farofa. Como eu não estava esperando nenhum filé, tá bom! Agora, na boa! Se 2012 for aquilo tudo, eu vou meter porrada nas Vozes por não terem me avisado!!!

Anônimo disse...

Gostei! sempre que vou ao cinema, vou com a alma que o filme pede, se é infantil, viro criança, é romântico, já entro dando uns beijinhos no maridão, enfim...não dá pra criticar simplesmente... temos que vivenciar...
O filme é sobre o fim do mundo, ou seja um filme catástrofe, cheio de efeitos especiais e pouco conteúdo, sempre foi assim, e acho que sempre será, não dá pra ser filme "cabeça".
Pena que só mostrou o Rio de Janeiro sendo destruido, gostaria mesmo de ver Brasília!!! rsrs
Helena - Ubatuba - SP

Lilian disse...

fui assistir o filme por pura curiosidade (achei, mesmo, que iam revelar alguma coisa sobre as profecias), mas sai decepcionada...
os (d)efeitos especiais foram absurdamente forçados, só sendo meio besta pra acreditar que na corrida ele ia alcançar um avião em movimento,rsrsrs...e outra bobeiras mais...
meu consolo, é que paguei barato pelo ingresso, já que na minha cidade quarta feira é dia de promoção...